Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Amor em tempo de Verão

por MC, em 21.07.16

amorzinho.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:42

Rua

por MC, em 25.06.16

vasco_trancoso_street_photography_02.jpg

 (Foto de Vasco Trancoso)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:41

A natureza relativa do luxo

por MC, em 08.06.16

morangos.jpg

 

Apanhados hoje pela fresca. Sem aditivos, nem corantes, nem potenciadores de não sei quê. Amanhã, dê por onde der, hei-de roubar meia hora à vidinha para me espreguiçar ao sol, perninhas cor de solha descongelada a corar, a debicar morangos. Olaré.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:30

Também

por MC, em 04.05.16

pearls 18.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:53

letter.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:36

Não

por MC, em 10.04.16

“Não, não E não”, sublinha, categórica. “Não quero”, repete entre dentes, os lábios apertados, as sobrancelhas franzidas, a franja irregular em desalinho, espetada como a rama de um ananás.

“Olha, são tão pouquinhas, as ervilhas… e as cenouras, que fazem tão bem! Experimenta lá uma colherzinha!”

“Nem penses. Não gosto disso. Não vou comer.”

“Mas sabes que os meninos têm de comer os vegetais. Só depois de comer tudo é que podem ir para o recreio. Assim, vais ficar aqui sentada muuuuiiiiiito tempo, enquanto os outros meninos vão brincar. Não é isso, que tu queres, pois não?” Com olhos baixos de ressentimento, abana a cabeça negativamente.

“Então tens de comer as ervilhinhas, vá lá. São tããããooo boas, a sério. Ora experimenta.”

“Já te disse que não quero. Não quero essas porcarias.”

“Ó Margarida, francamente! Uma menina tão bonita a dizer disparates! Os vegetais não são porcaria, fazem muito bem à saúde! Quando os meninos comem os vegetais crescem muito e ficam bonitos!”

Os braços cruzam-se obstinadamente, escondem-se as mãos debaixo das axilas, para que dúvidas não subsistam sobre a impossibilidade da capitulação: “Mas eu não quero. Não e não. Tu não mandas em mim. Vou dizer à minha mamã.”

“Olha, a tua mamã de certezinha que também quer que tu comas os vegetais, porque ela sabe que fazem muito bem. Até aposto que vai ficar muito triste quando souber que não os comeste.”

“Vai nada. Ela não me obriga, deixa-me comer o que eu gosto”, arremessa-lhe, a alegria do triunfo a bailar-lhe na voz. “A mamã dá-me batatinhas fritas e deixa-me beber sempre um sumo daquelas latas verdes com bolhinhas e eu gosto e como tudo e depois ainda me compra um kinder quando vamos ao café, mas vegetais nããããoooo. E na casa do papá é a mesma coisa, quase todas as vezes vamos comprar uma pizza e eu gosto muito de pizza. É muito bom, não achas, Geninha?”

“Acho, sim. Mas também temos de comer as coisas que fazem bem, como as ervilhas e as cenouras. Se tu as comeres o teu papá também vai ficar muito contente, sabes?”

“Não, meu papá não quer saber disso. Ele muitas vezes está ocupado a falar ao telefone ou no computador e quem me dá o jantar é a Débora Soraia. A Débora Soraia é a namorada do papá e um dia ela também queria que eu comesse a sopa e eu não queria comer. E depois eu gritei muito e chorei e engasguei-me e o papá veio lá de dentro e ficou muito zangado que já não se podia estar descansado naquela casa e que ele tinha mais que fazer e que estava cansado e gritou para a Débora Soraia: “eh pá, deixa lá a miúda comer o que ela quiser, mas que porra, pá, não há sossego nesta casa e depois a Débora Soraia também ficou zangada com o papá e comigo e eu não falei mais com eles e depois perguntei ao meu papá se podia comer um bolicao e ele disse que sim e foi assim.”

“Sabes, quando eu era pequenina e fazia birras assim como tu, a minha avó dizia que eu era teimosa que nem uma mula.”

“Ai sim? O meu papá também tem uma.”

“O teu papá também tem uma? Uma quê?”

“Então, Geninha? Não percebes nada? Está-se mesmo a ver: uma mula!”

“O teu papá tem uma mula?!”

“Sim, foi o que a mamã disse. Quando eu lhe contei que a Débora Soraia me queria obrigar a comer a sopa e que eu chorei muito e fiquei tããããoooo mal-disposta e quase vomitei a mamã ficou muuuuiiiito zangada e foi lá a casa do papá e gritou com ele e disse-lhe: ‘essa mula que não pense que só porque se meteu cá em casa, vai ter o direito de mandar na minha filha! É que nem sonhes, ouviste?’, disse-lhe a minha mamã. Eu ainda espreitei muito lá para dentro, mas não vi mula nenhuma.”

Parou por instantes para recuperar o fôlego e arrumar os pensamentos. Quedou-se, o castanho cândido dos olhos perdido nos restos de comida já fria. E ainda tornou: “ Ó Geninha, o que é uma mula?”

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:03

007

por MC, em 02.03.16

007.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:12

Misplaced wisdom

por MC, em 26.01.16

pearls 15.jpgpearls 5.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:01

Happy hour

por MC, em 14.01.16

Sentada à janela a apanhar o solinho morno de fim de dia, a menina Isabelinha folheava, sem olhar, a revista de eventos sociais que tanto apreciava. A menina Isabelinha considerava que o fim do dia à sua janela era infinitamente melhor do que as vidas esfusiantes das celebridades. Deslumbrava-a o fervilhar da sua rua.

As crianças a regressar da escola, coladas à passada impaciente das mães, as mochilas obesas a deslizar pelas costas. Os vizinhos velhotes, a quem ninguém punha os olhos desde a excursão matinal ao centro de saúde, parecem experimentar agora um inusitado prazer em visitar a mercearia do Sr. Abílio, onde acorrem em magotes vagarosos, como se convocados telepaticamente por uma misteriosa força superior.

As mãos bonitas das mulheres correm, hábeis, a colher dos estendais a roupa que penduraram antes da labuta. As conversas saltam de janela para janela, de um prédio para o outro. Sabem-se notícias dos doentes, tecem-se críticas às condições atmosféricas, avalia-se o grau de humidade das toalhas turcas e elabora-se sobre a carestia da vida. A rua enche-se de vozes que pairam entre os prédios como pássaros e que transportam consigo reflexões filosóficas acerca dos insondáveis mistérios da vida em geral e da dos vizinhos em particular.

O senhor coronel Lacerda, do quarto esquerdo, já desceu ao átrio para verificar a caixa do correio, hábito diário que, estranha e invariavelmente, coincide - mais minuto menos minuto - com a chegada da Shirlei, a brasileira colorida da tabacaria, a quem o senhor coronel atira um sorriso sonso, logo seguido de um pestanejar baboso que a escolta ao longo do primeiro lanço de escadas como a gosma de uma caracoleta.

A menina Isabelinha nunca viveu noutro sítio. É daquele primeiro andar alto e soalheiro que observa, com requintes de fã obsessiva, o pulsar único da sua rua. Às vezes, quando o calor e a tardança do estio o justificam, a menina Isabelinha vai buscar uma cerveja fresquinha e um pires de tremoços e para ali fica, consoladinha, como uma espectadora assídua e incansável de um musical arrevesado mas bem produzido que resiste à erosão dos anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:38

pearls 14.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:26


Este estendal é meramente um exercício de egocentrismo. É a roupa que eu estendo, quando calha.

foto do autor


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D